
É isso pessoal, foi-se embora hoje o Rei da Antropologia Estrutural, Claude Levi Strauss (mais conhecido como Levistrô rsrs). Não poderia deixar de postar uma homenagem do Fezes pra esse grande sujeito. Gostaria de tê-lo visto no programa domingo legal, com aquela chamadinha caracteirsitca do gugu (Levistrôoooooo), mas apesar de ele ter dado aula ate na USP se nao me engano, não rolou gugu (mas parece que oRoberto da Matta foi no gugu!!).
Enfim, Levistrô é um gênio, e quem teve aula com Nélson já ouviu falar de Quesalid, e dos artigos O Feiticeiro e sua Magia, e a Eficácia Simbólica. QUem não leu ainda leia! Bão demais!
Levinho, pros íntimos, ainda mandou um livro sobre a experiencia que teve com indios no Brasil Central, o aclamado Tristes Trópicos (que ainda não li), mas mando a resenha embaixo:
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PARIS, França — Em 1954, a editora francesa Plon encomendou a um jovem especialista em populacões esquimós e lapônias, Jean Malaurie, que criasse uma coleção etnográfica intitulada "Terra Humana".
Malaurie, então, pediu a Claude Lévi-Strauss um relato de suas viagens. Em quatro meses, o antropólogo terminou seu manuscrito, baseado na viagem que fizera ao Brasil nos anos 30. Na ocasião, ele havia iniciado um projeto de romance, do qual aproveitou o título: "Tristes trópicos".
"Eu tinha uma bolsa cheia que tinha vontade de esvaziar", contou. E o que ele colocou disto na obra não foi apenas seu conhecimento, mas também sua alma: esta é a diferença entre um relato erudito, mesmo de alto nível, e uma obra de arte.
Em seu livro, o austero e discreto antropólogo está evidentemente dividido entre um desejo de liberdade e o trabalho científico. Finalmente, porém, decide permitir-se a liberdade para escrever uma obra audaciosa, quase antinatural, já que não hesita em empregar a primeira pessoa do singular ao defender a ideia de que "o 'eu' é odioso".
Após um aparentemente paradixal "ódio às viagens e aos exploradores", 500 páginas extraordinárias trazem o relato das aventuras e das descobertas que fez, acompanhadas de lúcidas reflexões.
Moralista, Lévi-Strauss analisa nesta "autobiografia intelectual" as relações entre o velho e o novo mundo, o lugar do homem na natureza, o sentido da civilização e do progresso.
O sucesso foi imediato, e as críticas, entusiasmadas. Às vésperas de anunciar os vencedores de seu prestigiado prêmio, a academia Goncourt lamentou não poder concedê-lo ao livro de Lévi-Strauss, já que não era um romance. Apenas os cientistas receberam a obra com reservas, impacientes por ver seu colega transitar entre o terreno científico e o mundo do romance.
"Os etnólogos me acusam de ter feito um trabalho de fã, e o público afirma ser um livro erudito. Tudo isto é indiferente para mim", disse na época o autor.
"Tristes trópicos" foi traduzido para diversas línguas e reeditado outras tantas vezes vezes. Claude Lévi-Strauss o considerava um livro escrito "rápido demais e sem reflexão".
"Insólitas, desconcertantes, desvairadas, saltando as épocas, os anos, as estações, palpitantes, as fulgurações de 'Tristes trópicos' são do tipo que traçam caminhos na noite. E isso ainda perdura", escreveu a ensaísta Catherine Clément, amiga e especialista da obra de Lévi-Strauss.
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Valeu Levinho!!!! ;)