Pelé e o processo de democratização da escola: uma aproximação possível


Edson Arantes do Nascimento (o mesmo, que dia desses teve seu nome escrito em uma lista de presença de uma sala aê e gerou uma grande confusão, mas isso não vem ao caso), conhecido como Pelé, e também como rei do futebol. Aquele maroto que foi campeão em 58, 62 e 1970... (em 1966 ele tava lá, naquele fifi). Aquele mesmo que fica com aquela picuinha com o saudoso Maradona (super técnico assim como Dunga). Aquele cuja declaração de Romário foi marcante: "Pelé calado é um poeta."

O rei sempre gostou das crianças (sem brincadeirinhas de associação com Magno Malta). Ao fazer o gol 1000 contra o eterno vice-Vasco em 1969 declarou: “dedico este gol às criancinhas do Brasil”.

Tomando como centro, a questão das crianças e a educação. Devemos lembrar, que o processo histórico do acesso à escola mudou e muito, já diria Aninha e Beth Barros (...2005, 2006, 2007, 2008, 2009...). Antigamente, escola era pra bacana, e havia duas escolas, uma pra bacana e outra pro pobretão (a brincadeira é muito fácil, chama-se luta de classes) e muito poucos da classe operária ficava lá por muito tempo, era o bastante pra se ter o seu corpo dócil, enquanto os bacanas viravam a elite pensante... com a constituição federal de 1988 a escola passou a ser dever do estado, num sentido amplo, e direito de todos, e todas as crianças de 7 a 14 anos (atualmente de 6 a 14) são obrigadas a estarem na escola. Ocorreu um processo de democratização no sentido de se ter o direito de tá lá dentro... o que na realidade não é bem assim, mas ocorreu um certo avanço numérico...

Antigamente, os bacanas deitavam e rolavam. Dizia-se que a escola era melhor, mas pensa bem, antes tinha pouquíssimas pessoas lá, pois o direito era seletivo... depois de muitas doideiras (alguns diriam que o sistema educacional só falta enterrar) criou-se alguns mecanismos para a real inserção, o que não quer dizer inclusão, e os números de crianças nas escolas cresceu incrivelmente. Lembrando amigo, vacila pra tu ver, o Conselho Tutelar vai tá na sua cola se vc não andar na linha, mano.

Bom, e o Pelé com isso?

Pelé, ele mesmo, pra quem não sabe, também dá para um bom compositor (ui!). Sua música foi utilizada num programa do saudoso FHC, aquele que privatizou nossas melhores empresas:

ABC, ABC
Toda criança tem que ler e escrever
ABC, ABC

Toda criança vai ler e escrever

O Brasil em ação aprendeu uma lição

que criança sem escola
não levanta uma nação

Que bom vai ser o nosso Brasil
Quando todo mundo souber ler e escrever
Que bom vai ser o nosso Brasil

Quando todo mundo souber ler e escrever

ABC, ABC

Toda criança tem que ler e escrever
ABC, ABC
Toda criança vai ler e escrever

No sentido numérico da coisa, o desejo faltante (só pra dar uma espizinhada nos esquizos) de Pelé, de democratização da escola parece que vem ocorrendo, mas devemos lembrar "Que é isso mas não só isso" (Ana Heckert)... Nesse mesmo sentido tem alguns públicos que num tá muito por aê não... vide os deficientes, transexuais, pessoal da roça e por aí vai, que nem entra na escola, ou fica pouquissimo tempo na escola...

E se for falar em democratização em termos de mesmas chances de êxito de todos, o troço tá longe... acho que teria que chamar o Pelé de novo!

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